DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Após assistir à série Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, o texto traz uma reflexão sobre a vida de Ângela Diniz, destacando os julgamentos sociais, as desigualdades de gênero e a polêmica absolvição de Doca Street, que expôs os “dois pesos e duas medidas” da Justiça da época.

Recentemente assisti a série Ângela Diniz, assassinada e condenada, e quis trazer minha análise sobre a série.

A série traz em cada capítulo, a sua personalidade, e de todos os personagens com quem ela tinha algum tipo de relação: Familiares, amigos, parceiros, etc. Em primeiro lugar, para mim Ângela não foi uma heroína, mas foi alguém que inegavelmente teve a ousadia de ser quem era.

Para quem desconhece a história, Ângela Diniz foi uma socialite famosa na década de 70, conhecida como Pantera de Minas, que se casou aos 17 anos com o engenheiro Milton Villas Boas, que na época do casamento tinha 31 anos, eles tiveram 3 filhos ao longo dos dez anos de casamento, mas ela decidiu sobre a separação, na época o divórcio não era permitido, e seguiu-se o acordo judicial de desquite, neste acordo ela teve de pagar o primeiro preço de sua “liberdade”: A guarda dos filhos ficou com o ex-marido.

Sinceramente, me incomodou o fato de que mesmo assim, Ângela seguiu com o desquite, talvez por eu ser mãe, e eu não teria coragem de me separar do meu filho, mas percebo com uma certa surpresa de que está tão enraizado em mim, e ainda na sociedade moderna, o fato de que a mulher, a mãe, tem sempre o dever de se sacrificar, e nunca o homem, afinal, ao longo da história diversos homens se separaram de suas companheiras, mas não foram “punidos” com a perda da guarda e do contato com os filhos, mas foi mais questão de acordos judiciais, visto que ainda se entende, que a prioridade da guarda dos filhos deve ser dada às mulheres.

Para mim Ângela demonstrava falha em seu caráter, pois para mim, a traição, é questão de falha na moral, porém, percebi com a mesma surpresa anterior, que não julguei da mesma forma o amante, o mineiro milionário Arthur Vale Mendes, que não só era casado assim como ela, mas não teve o desejo e nem a coragem de se separar de sua esposa na época, e viver seu relacionamento com Ângela.

Confesso que me doeu um pouco assistindo os desafios enfrentados por seguir com a sua escolha: A separação dos filhos, ninguém comparecer à festa da filha porque Ângela era mal falada, ela precisar pedir que alguém fosse fiador para conseguir alugar um apartamento, e por fim, ela precisou alugar sem fiador, e sabemos que um homem na época que tivesse a mesma personalidade dela, e tomasse as mesmas decisões, não enfrentaria as mesmas consequências.

E finalizando, me incomodou muito a série demonstrar, que os sinais de relacionamento abusivo estavam lá, e Ângela, uma mulher tão inteligente e autêntica, não deu um fim naquele relacionamento, ela que já sabia e já tinha colocado fim em outros, e por último, Doca Street ter sido absolvido no primeiro julgamento, por se utilizar a tese de: Legítima defesa da honra, porque além de ser um absurdo, nenhuma mulher  que ou tivesse matado o marido por traição, ou por ter sofrido algum tipo de violência, se utilizou da mesma lei, provando que no caso de Ângela, e de muitas mulheres, muitas vezes foram usados: Dois pesos e Duas medidas.

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