Quando o medo vai deixar de ser rotina?

A violência cotidiana transformou o medo em parte da rotina do brasileiro. O artigo analisa a insegurança, a falha do Estado e a necessidade de o cidadão assumir a própria proteção.
Quando o medo vai deixar de ser rotina?

Coração acelerado, mãos suando, aperto no passo, ensaio na mente para gritar por ajuda.

Quem nunca passou por isso no Brasil? É um sentimento que infelizmente é comum à muitos cidadãos, e pior ainda, medo bem fundamentado, não é como o medo de passarmos por um tsunami ou terremoto, visto que esses fatos são extremamente raros.

Mas o medo de assalto, casa invadida, bens roubados, violência sexual, assédios, são bem fundamentados, porque são medos baseados não só no que se comentam, mas no que as estatísticas demonstram.

Na semana passada, em Jacareí, uma mulher foi encontrada pelo marido, no carro do casal, desorientada e sangrando, o marido que possui um aplicativo de localização onde ele acompanha o trajeto da esposa, percebendo que o veículo saiu da rota normal que a esposa percorria para ir até a faculdade, onde ela  cursa o penúltimo ano de biomedicina, ele mandou mensagem para a esposa e teve a resposta de que tudo estava bem.

Percebendo que o carro ficou parado por um tempo em um bairro que nada tinha a ver com o trajeto à ser realizado, ele foi atrás, quando chegou, encontrou a esposa no estado de choque, ele levou-a até o hospital onde foi colhido os exames e comprovado aquilo que infelizmente já imaginamos: Ela foi violentada.

Confesso que essa notícia chegou para mim como um soco no estômago, pois ela estava no carro dela, e no nosso carro, assim como a nossa casa, é um ambiente em que nos sentimos seguros, e o trajeto que ela percorre, eu conheço, isso reforça algo que de vez em quando temos o benefício de esquecer: Não é isolado, acontece com qualquer um, à qualquer momento, e em qualquer lugar.

A sensação de insegurança está presente em nosso dia-a-dia, eu por exemplo, amo caminhar, mas eu não posso simplesmente caminhar à partir das vinte horas, se fizer isso, estarei correndo risco, mas não posso me ater somente à sensação que eu sinto como mulher, assim como eu, muitos homens sentem insegurança em sair tarde da noite, com medo de serem assaltados, sequestrados, etc.

E nos acostumamos com o fato de que nós precisamos escolher meios e ferramentas para nossa segurança, porque o estado é ineficiente, e os criminosos contam com essa ineficiência.

Contam com os atenuantes de penas concedidos por judiciário, contam com  a juíza que ri em audiência de custódia para um criminoso e lhe pede que ele ajude ela a ajudá-lo, contam com habeas-corpus, contam com pena imposta para um crime de estupro, de doze anos, contam com as mazelas de uma sociedade que muitas vezes olha para um criminoso como vitima, e portanto devemos fazer todo o possível para ajudar à se ressocializar.

E a nós, nos resta contarmos com instalação de cerca elétrica, aplicativos de segurança, compra de câmeras de segurança, pagar seguros de carro, casa, cuidar com o horário que vai sair de casa ou voltar para casa, enfim, a nós nos resta ficarmos presos em nossa insegurança.

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